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03/01/2008   fotos: redação JP
No dia 31 de Dezembro de 1924, o jornalista Cásper Líbero teve a idéia de trazer ao Brasil, uma corrida noturna que era praticada na França, cujos participantes carregavam tochas em seu percurso. Tratava-se da Corrida Internacional de São Silvestre, prova que se sucedeu no decorrer dos anos e disputada sempre no último dia na cidade de São Paulo, dando fama e prestígio ao país nesta modalidade esportiva.

Por 20 anos a São Silvestre contou apenas com corredores brasileiros. A partir de 1945, com a participação de atletas do Chile e Uruguai, a prova ganhou conotação internacional, recebendo deste então, fundistas do mundo inteiro. Nomes como o da «locomotiva humana», o tcheco Emil Zatopek (vencedor em 1953), o belga Gaston Roelants (vencedor em 64, 65, 67 e 68), o colombiano Victor Mora (72, 73, 75 e 81) e o equatoriano Rolando Vera (86, 87, 88 e 89). O maior vencedor de todos os tempos foi o queniano Paul Tergat, que venceu por cinco vezes a prova: 95, 96, 98, 99 e 2000. Para acabar com o jejum brasileiro entre os anos de 1946 até 1980, tivemos as vitórias de José João da Silva (80 e 85), João da Mata, Ronaldo da Costa, Émerson Iser Bem, Marilson Gomes dos Santos e Franck Caldeira de Almeida. Este ano, pela terceira vez, venceu o queniano Robert Cheruiyot voltando, portanto, a hegemonia estrangeira.

No transcorrer dos anos o percurso foi alterado, atendendo as especificações da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), que estabeleceu a distância de 15 Km. A prova deixou de ser noturna a partir de 1989, descaracterizando o propósito de seu idealizador, que era o de uma corrida noturna na passagem do ano.

Talvez o motivo esteja ligado ao fato da Av. Paulista abrigar dois espetáculos num só dia, que é o da corrida e a festa do reveillon, onde a população se concentra pra assistir a queima de fogos à meia noite e ao interesse das emissoras de televisão por uma transmissão mais visível como um todo.

Diante desta modificação, a São Silvestre atrai atualmente, pessoas totalmente fora da disputa em si, onde muitos chegam fantasiados pra aparecerem na TV, fato que tem prejudicado os verdadeiros atletas em seus propósitos originais que é o de competir e ganhar tempo de corrida.


A intimidade do atleta da São Silvestre


Em sua 83.ª edição, a São Silvestre tem apresentado o lado competitivo, que reflete a briga por um tempo melhor de corrida, a performance do corredor, a torcida do público presente e a festa e fantasia produzida pelos carnavalescos de plantão. Entretanto, existe também o lado humano da prova a destacar:

O editor do Jornal da Paulista esteve no evento pra conferir e teve o prazer de conhecer na Av. Paulista, em frente à FIESP, corredores que vieram de Lins, interior de São Paulo, distante 450 Km. da capital, para competir pela primeira vez. Todos integravam a equipe Salesiano-Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, uma rede de ensino composta por 10 universidades em diversas cidades do Brasil.
Por ordem etária crescente, vale citar o nome de um jovem e promissor atleta, professor de Educação Física, em busca de patrocínio e trabalho como personal training, Urbano Dario Cracco Junior (21). Nesta prova conquistou o 1242.º lugar na classificação geral com o tempo de 1:07:35. Na seqüência, Aldir da Silva (38), diácono a ser ordenado padre no dia 04 deste mês, na Catedral de Santo Antonio em Lins, e possivelmente designado a assumir a função em Campo Grande-MS, conquistou o 10.986.º lugar, fazendo o tempo de 1:54:10. Posteriormente, Antonio Arzani (48), enfermeiro e estudante de Educação Física, funcionário do Hospital Geral de Promissão, cidade próxima a Lins, que obteve o 2.704.º lugar com o tempo de 1:17:51. E, por último o nosso editor, João Carlos Capotorto (56), que alcançou o 8.410.º lugar com o tempo de 1:46:03. Na 76.ª edição em 2000, houvera conquistado o 2.851.º lugar com 1:09:22. Tal disparidade ocorreu em função de duas cirurgias, executadas para corrigir o ligamento do joelho direito rompido, fato que o impossibilitou de participar das competições por sete anos seguidos, fazendo fisioterapia e tratamento local.

"A felicidade em participar de tal evento era tão grande que todos se confraternizavam. Havia paz, alegria, sem confusão e brigas. Não existia preconceito de raça, cor ou condição social.
São pessoas comuns misturadas com outras importantes, vindas do mundo inteiro, cada um com a sua vida, os seus problemas, dificuldades e possibilidades para integrar e se solidarizar no maior evento esportivo do pedestrianismo brasileiro, totalizando 20.000 participantes só nesta edição de 2007.
A organização do evento estaria impecável não fosse a falta de água nos «chuveirinhos», equipamentos distribuídos ao longo do percurso, pois não ventava e o tempo quente e abafado sufocava, nada tendo a refrescar, a ponto de vários corredores passarem mal e ficarem pelo caminho e, além disso, a mistura entre as categorias, fato que gerou a reclamação da maioria feminina. Uma prova difícil", enfatizou Capotorto.


Classificação dos atletas de elite


Masculino

1- Robert Cheruiyot (Quênia) - 45min57
2- Patrick Ivuti (Quênia) - 46min52
3- Anoe dos Santos Dias (Brasil) - 47min06
4- Jacinto Lopez (Colômbia) - 47min23
5- Marildo José Barduco (Brasil) - 47min36

Feminino

1 - Alice Timbilili (QUE) - Nike - 53min07
2 - Marizete Rezene (BRA) - Mizuno/Damha/Bioset - 53min36
3 - Maria Zeferina Baldaia (BRA) - Pinheiros - 54min43
4 - Edielza Alves dos Santos (BRA) - Cruzeiro - 54min52
5 - Marily dos Santos (BRA) - Mizuno - 55min03

Legenda

foto 01: Urbano Dario Cracco Junior, Cauê Soares, João Carlos Capotorto, Antonio Arzani
foto 02: Antonio Arzani, João Carlos Capotorto, Aldir da Silva, Urbano Dario Cracco Junior
foto 03: Aldir da Silva, Urbano Dario Cracco Junior, Antonio Arzani - equipe Salesiano
foto 04: João Carlos Capotorto, Urbano Dario Cracco Junior


Fonte: redação JP


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