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TEVÊ À MANIVELA Celso Fernandes CXLVIII
Vou plantar batatas... Se possível tamanho família!
22/06/2012
foto/montagem: enviada por Celso Fernandes
A propósito da força de expressão acima intitulada (a saber, para quem não sabe) surgiu em Portugal na segunda metade do século XIX e devia-se ao fato do indivíduo ser um bom operário numa fábrica. O que significava trabalho digno, moderno, que dava prestígio ao assalariado em curso. Já a agricultura era considerada uma atividade secundária, braçal, para pessoas desqualificadas. Sem teto, sem fome, sem terra, no futuro do pretérito imperfeito, lulisticamente relembrando de promessas passadas que sequer ´marolaram` no redemoinho do nosso esquecido moinho, por certo não gotejavam como lá. Mas isso é uma outra história a ser contada logo adiante, que não deve ficar tanto a ver navios. Vinhetas é que não vão faltar, acredite. Coligações alternativas estão sendo formadas.
Assim, mandar alguém plantar batatas equivalia a remeter o ofendido ao campo para cuidar de tarefas rudimentares, arar o próprio latifúndio, desbancar a lei da concorrência. Portanto, nada a ver com a finésse atual servida a toda mesa como o bom prato do dia. Tudo bem?
Dito isso, antes de mais nada, plantá-las, para depois colhê-las e obviamente tratar de fritá-las e enfim, comê-las. Algo do tipo: ´´batatinha quando nasce todo mundo põe a mão`` vem de iguarias. ´´Potato fries`` – na lógica de toda origem, sobremodo, até em referir que existem coisas na vida que você tem de encarar sozinho! No tocante ao que possa ser sólido e que se desmancha no ar – na lógica reciclada a la Marshal Berman pós era Karl Max, Engels, esses idealizadores – também equivale às boas intenções. Se boiamos? Na barcarola de votos coligados melhor ainda! ´´A carta é falsa, a letra não é minha``, alguém procurado em ´ene` países disse. Minha, idem, é que nunca foi. Muito menos quando assinadas em mata-borrão.
Ora, não custa esticar o olho mais que uma linha por aqui, que em época de caça aos ´´paparicados e indecisos eleitores`` também é batata. E vale o lembrete de cabeceira em um dos contos de Nelson Rodrigues no qual podemos indicar a capitulação de uma jovem pequena difícil, no pecado da carne, na suspeita de uma traição de longa data. Tal o palpite para o ´jogo do bicho` em plena ascensão e de seguidores ´cachoeirísticos` silenciosos a parte final de algum aforismo de botequim entra na roda bamba do assunto. Onde aí em especial tudo acontece em gritar hinos de glória. ´´Dou duas (tentativas básicas?) sem tirar da marca do pênalti; frente aos viagras genéricos, dou três e peço prorrogação``. ´´Lavou, está é seminovo!``.
Vai vendo. Coisa que no campo dos politicamente corretos contamos sempre com uma nova exceção de cabide de governo, verbas paletós (a saber, para quem sequer pensou em perguntar), quando em nenhum momento vimos algum deles pelo rico reinado de Reilândia dizerem sentir-se ´´desabonado`` no tocante às contas bancárias. Sorte daquele que entrou apenas pelo bom uso-fruto da anedota de campanha – e não mais que apenas – para marcar o ponto e usufruir da sua modesta merreca mensal/mensaleira/gratificante.
Moral da história, ´´se no princípio era o verbo, a lábia, a lorota, a pilhéria, porque não a ´voz das verbas`, do ´faz-me sorrir` em berço esplêndido? Estas, digamos, merecidas por esforço de trabalho contínuo. Como? Alguém aí citou o ócio do artifício? Vá lá que sombras aquáticas costumam fazer bolinhas adicionais em dias de corrida submarina que é uma maravilha. ´´Potato fries, Chapinha``!
Enquanto isso... no país das apurações, dos escândalos, grampos, dos surdos-mudos eleitos e bem ´interrogados`, que não têm coisíssima alguma a responder, a não ser negar no mais puro papel do eterno aprendiz, dá-lhes justificativas vindas da terra do ´´nunca antes``. ´´Jamais``, ´´jamé``, em ´´hipótese`` alguma, e vamos arrolar melhor a festa. Tomatela? Macarronada completa? Wow! Ir para o buraco por que se ainda tenho o recurso do pré-sal?
Centralizando um pouco do que o meu velho amigo Benjamin Franklyn em carne, osso e pescoço disse (a saber, para aquele que sequer arriscou pensar em perguntar), ´´dinheiro não é tudo``. Por regra, manda retirar favores na boca do caixa – dois, de preferência –, importando ou não o tamanho da fila que tenha de enfrentar. Ó dúvida cruel e mens sana! (Ora de remarcar o nosso Monty Python televisivo tamanhas CPI´s em menos capítulos para evitar o cansaço do mundo dos esquecidos. Porque não sabemos o que não sabemos. E bem mais fácil não oferecer tanto o outro lado da orelha para que as duas permaneçam de pé e não saiam desfilando por aí, juntas, de um lado só.
E findo o fato que agora estou indo de bom grado (pois na vida existe mesmo coisas que você tem de encarar sozinho), o mais importante é não esquecer de juntar todas as letras na bagagem sem desmerecer o ´´pós vírgula``. Como exclamaria Abuelito:´´Y que Dios nos bendiga!
– Para onde? Ora pois, vou plantar batatas... Se possível tamanho família!
Celso Fernandes, jornalista, poeta e escritor, autor de ´´As duas faces de Laura``, ´´O Sedutor``, Sonho de Poeta`` (Ed. Edicon), entre outros. Colunista de Moda, Cultura & TV, escreve semanalmente em jornais, revistas e sites relacionados às áreas.
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