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Saudade no Meio da Maré
16/02/2011   foto: Claudia A Ribas
A vida - escola provisória, temporária, transitória - tem dessas coisas, nos toca quem tocamos, numa "troca" infindável, imensurável, edificante.

Recebi um e-mail de uma nova amiga , pessoa especial, espiritualizada, sensível... Fiquei feliz por tocá-la de alguma forma com minhas mensagens, foi assim que ela se apresentou, através de uma outra amiga que repassava meus textos e e-mail's.

Tão carinhosamente tecia elogios com palavras de algodão, coloridas, adocicadas... observou em um breve relato a frase de uma criança, madura e sensível, que no meio de uma roda de adultos na praia, falando sobre saudade de filhos que casaram, surpreendeu a todos com uma frase:

- Saudade é a gente estar sozinha no meio da maré, sem pai, nem mãe e ... nem chocolate.

É criança, saudade é isso!!!

Fiquei tocada pela sensibilidade da nova amiga por sentir meu coração a distância, apertado de saudade da minha criança que cresceu e alçoou voo, deixando um vazio na mesa, nos cômodos do apartamento, uma lacuna na minha alma, um silêncio sem explicação, com muitos argumentos, mas a certeza de "dever" cumprido, a consciência que mãe também erra e um amor incondicional.

Saudade do meu menino, da sua inocência, daquela voz tão infantil chamando mamãe, do cheirinho de bebê que mudaram minhas manhãs, dos seus passos inseguros correndo em minha direção para o abraço apertado, beijo demorado, canção de ninar, festinha na escola, pipoca, pizza, coca-cola... saudade é isso e tanto mais.

Consigo sentir essa criança no meio da maré... eu, você, muitos de nós, sem pai, nem mãe, sem o filho, sem namorado, no meio da maré... e nem chocolate!!!

A saudade nunca deixa um sabor amargo quando temos a certeza que fizemos o melhor, que vivemos intensamente o que aquela oportunidade nos ofereceu... independente da receptividade dos demais envolvidos. Pode até faltar o sabor de chocolate, a ausência física, o toque, a troca de olhares... mas quem ama se alimenta da presença espiritual, da prece intencional, da vibração iluminada para que o melhor aconteça na vida do outro...

Quantos de nós estamos no meio da maré com saudade, sem o sabor da presença de quem amamos... e nem chocolate!!!Que não nos falte a prece sentida, a certeza que livre-arbítrio deve ser respeitado ...o amor não tem amarras, estratégias... simplesmente é. No meio da maré muitas ondas passam, só passam.


Claudia A Ribas
Professora, escritora, assessora de marketing
email: claudia.ribas@ymail.com











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