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Combate à obesidade
Desvendando as polêmicas sobre a sibutramina
04/12/2010
foto: Dr. Francisco Mota Tostes
A obesidade é uma doença, além também de ser um fator de risco para outras doenças (ex: cardiovasculares e neoplasias), não se tratando, portanto, de uma questão meramente estética. E sua prevalência aumenta progressivamente, tornando-a cada vez mais uma preocupação de saúde pública.
Por esse motivo, o uso de inibidores de apetite e até mesmo de emagrecedores e laxantes naturais tornou-se um hábito freqüente na população, fazendo do Brasil o terceiro maior consumidor mundial dessas substâncias.
Recentemente, foi publicado o estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcomes - traduzindo, desfechos cardiovasculares conseqüentes ao uso da sibutramina), o que gerou grande mobilização na mídia e preocupação em massa. O SCOUT foi um estudo com 10 mil pacientes, com sobrepeso ou obesos, maiores de 55 anos, que obrigatoriamente tivessem alguma doença cardiovascular prévia ou Diabetes. Observou-se aumento do risco para eventos cardiovasculares sérios não-fatais (11,4% x 10%) no grupo de pacientes que usava sibutramina em comparação ao grupo placebo.
Em reação ao resultado desse estudo, a medicação foi suspensa na Europa e teve seu uso restrito nos EUA, para posteriormente ser retirada do mercado americano também. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária - órgão regulador de medicamentos no Brasil) e a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) se posicionaram contra essas resoluções internacionais uma vez que esse risco já era conhecido para esse grupo de pacientes, o que torna o estudo questionável para esse fim, e é descrito na própria bula da medicação.
A sibutramina é uma medicação utilizada há 12 anos, possui diversos estudos comprovando segurança e eficácia na perda de peso sustentada, trazendo benefícios metabólicos para o paciente, oriundos do emagrecimento. Obviamente sua prescrição deve ser criteriosa e o acompanhamento médico é fundamental para os usuários dessa substância. Ademais, sabemos que o arsenal de drogas anti-obesidade é restrito e, portanto, a exclusão do principal agente desse grupo de medicamentos apenas dificulta a luta mundial que é travada contra a epidemia da obesidade.
Dr. Francisco Mota Tostes
Clínico Geral - Endocrinologista
Av. Maracanã, 987/803 - Tijuca
Tel: (021) 25675740
Enviado por
Claudia A Ribas
claudia.ribas@ymail.com
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