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Maria Alcina - 100 Anos de Adoniran
Maria Alcina mostra diferentes facetas da obra de Adoniran em show no SESI
13/07/2010
fotos: Paola Prado
A cantora Maria Alcina entra em cena com o show 100 Anos de Adoniran Barbosa, concebido e dirigido por Cervantes Sobrinho. O show acontece dia 21 de julho, quarta-feira, no Teatro Popular do SESI - Paulista, às 20 horas, com ingressos populares a R$ 10,00 e R$ 5,00.
O espetáculo vai muito além de uma simples releitura das músicas de Adoniran; não se resume apenas a uma seleção de repertório e ainda conta com a performance incomparável da intérprete. O arranjador e diretor musical Sérgio Arara buscou inspiração nas próprias personagens e histórias contadas nas letras de Adoniram para conceber os arranjos e apresentar uma leitura única e original, fugindo da sonoridade já conhecida por todos.
Alcina se esbaldou com o banquete que Arara lhe ofereceu: muito molho, pimenta e ritmo para abusar do vozeirão. Inclusive, quem aquece o público e prepara o clima para Alcina entrar em cena é a voz do próprio Adoniran em áudio retirado da gravação de Torresmo à Milanesa. A cantora mostra que está em plena forma: esbanja bom humor e incorpora várias personagens pra lá de hilárias.
O programa surpreende até os mais apaixonados por Adoniran ao fazer ressurgir melodias e letras primorosas de sua produção romântica (Prova de Carinho, Iracema, Triste Margarida - Samba do Metrô e Não Quero Entrar) e ao dedicar um bloco inteirinho aos sambas e às marchinhas, músicas pouco lembradas pelo grande público (A Louca Chegou, Pafunça, Chora na Rampa Negão, Os Mimoso Colibris, Dona Boa, Tocar na Banda, Dondoca e Senta, Senta). Até uma moda de viola foi inserida neste cardápio: a inusitada Tô Com a Cara Torta que, de imediato, remete-nos ao estilo caipira de Inezita Barroso (por ironia do destino, ela não chegou a gravá-la).
E é evidente que as canções consagradas do mestre, entoadas sempre em coro, também compõem este espetáculo (Torresmo à Milanesa, Samba do Arnesto, Conselho de Mulher, As Mariposa, Um Samba no Bixiga, Tiro ao Álvaro, Saudosa Maloca e Trem das Onze), além daquelas «assinadas» por Peteleco, seu vira-lata «letrado» (Plac-Ti-Plac, No Morro do Piolho e Mãe, Eu Juro).
Entre os exemplos mais inusitados do show Maria Alcina - 100 Anos de Adoniran Barbosa, destaque para o arranjo de Um Samba no Bixiga que corteja descaradamente com a tarantela, ritmo que embala o bairro de italianos. E o samba No Morro do Piolho ficou com a cara - e ritmo - do que se faz hoje no «morro»: o rap. Já para mostrar o universo da mulher cantada em Mãe, Eu Juro (que deve freqüentar os bailes da periferia no sábado à noite) o arranjo ganhou a cadência do bolero e flerta, dramaticamente, com o tecnobrega. Tudo isto sem cair no caricato, pois ninguém foi tão autêntico em sua arte como Adoniran que, certamente, de onde quer que esteja se diverte e aplaude esta também autêntica homenagem.
Show: Maria Alcina - 100 Anos de Adoniran Barbosa
Formação: Maria Alcina (voz), Sérgio Arara (violão, viola, efeitos sonoros, arranjos e direção musical) e Gustavo Souza (bateria, percussão e efeitos sonoros).
Dia 21 de julho – quarta-feira - às 20 horas
Teatro Popular do SESI - Paulista
Av. Paulista, 1313 - Tel: (11) 3146-7405
Ingressos: R$ 10,00 (¹/2 entrada: R$ 5,00) - a partir de 30/06 na bilheteria, quarta a sábado (12h às 20h) e domingo (11h às 19h) ou pelo www.ticketsforfun.com.br (4003-5588)
Capacidade: 456 lugares - Classificação etária: 14 anos
Ar condicionado e acesso universal - Aceita cheque, dinheiro e cartões.
Direção geral e concepção: Cervantes Sobrinho
Produção executiva: Paulo Gomes
Realização: SESI São Paulo
Este espetáculo já foi apresentado com sucesso nas unidades do SESI de Araraquara, Piracicaba, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e Sorocaba. Depois da Capital, o espetáculo segue para Itapetininga (dia 30 de julho).
Maria Alcina – Cem Anos de Adoniran Barbosa
Nenhum artista representa tão bem a música popular paulistana como Adoniran Barbosa. Nos quase 50 anos em que militou no meio artístico do rádio, da televisão, do cinema, da produção fonográfica e nas rodas de samba dos bairros boêmios de São Paulo, Adoniran sempre se destacou pela sua capacidade de transformar em versos bem humorados o dia a dia das personagens que fizeram a história da capital paulista na segunda metade do século XX. Não há no Brasil quem nunca tenha cantarolado pelo menos alguns dos seus versos e todo mundo ainda se lembra de, um dia, ter cruzado com o Arnesto, a Iracema, numa saudosa maloca ou no trem das onze. Há até quem ainda se lembre de ter se encantado com o Charutinho, a Pafunça, o Panela de Pressão e outras figuras folclóricas que circularam pelo Morro do Piolho. Em todas as suas canções Adoniran pintou um pouco do retrato que conhecemos da São Paulo, atacada pelo progresso do pós-guerra. Impossível, portanto, fazer justiça ao talento e à valiosa contribuição de Adoniran Barbosa para a música popular brasileira em poucas palavras.
Por isso, no ano em que comemoramos os 100 anos do seu nascimento, nada mais justo e oportuno do que contar a história deste super herói da nossa cultura popular por meio da própria obra. E para não ter depois que «chorar na rampa» a escolhida por Cervantes Sobrinho para comandar o espetáculo é ninguém menos que Maria Alcina, pela irreverência e forte dose de humor e de verdade que sempre empresta às suas interpretações. Ao receber o convite para representar no palco as diferentes facetas da obra de Adoniran, Alcina quase teve uma síncope. Esse era um sonho de longa data, mais precisamente do tempo em que o próprio Adoniran a chamou para gravar um dos seus maiores sucessos: Torresmo à Milanesa, com a participação do autor no discurso de abertura. Portanto, para esse espetáculo-homenagem que, evidentemente, inclui em seu roteiro as canções de Adoniran Barbosa que ainda estão na boca do povo, Alcina mergulhou de cabeça em uma pesquisa exaustiva que culminou com uma seleção que inclui, além das «vacas premiadas», a sua produção romântica e sambas e marchinhas compostos para velhos carnavais, parte muito pouco lembrada nos dias de hoje. Ainda foram considerados os registros feitos em nome do seu vira-lata de estimação, o também famoso Peteleco.
Em resumo, pode-se dizer que o talento de intérprete de Maria Alcina, associado à obra inquestionável de Adoniran Barbosa, é garantia de que o centenário deste mestre será comemorado em grande estilo para ser lembrado por outros cem anos. Afinal, João Rubinato, vulgo Adoniran, morreu em São Paulo no dia 23 de novembro de 1982, mas Adoniran Barbosa permanece vivo na memória de todos os brasileiros.
Assessoria de Imprensa
Eliane Verbena
Tels: (11) 3079-4915 / 9373-0181
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