Leptospirose
Sintomas da Leptospirose podem se manifestar até 30 dias após contaminação
06/02/2010
Até o momento, nenhum caso foi confirmado este ano, mas isso não é motivo para relaxar. O contato com a água e a lama da enchente deve ser evitado. Quem se expôs ao risco e manifesta sintomas deve comunicar ao médico. Profissionais de saúde estão sendo orientados a ampliar a atenção às suspeitas.
A Secretaria da Saúde de Sorocaba continua reforçando as ações preventivas e de orientação contra a Leptospirose, doença infecciosa aguda que pode ser contraída a partir do contato com a água ou a lama contaminadas com a urina de rato. Além de distribuir botas e cloro para a desinfecção dos imóveis atingidos pela enchente e alertar os moradores das áreas inundadas sobre os riscos da doença, a SES também está reforçando as orientações junto aos profissionais de saúde.
O alerta é para que as unidades estejam ainda mais atentas aos possíveis casos suspeitos. «A manifestação clínica da Leptospirose se assemelha a várias outras doenças. Por isso, é importantíssimo que o profissional de saúde esteja atento e avalie a possibilidade de ser Leptospirose», frisou o secretário Milton Palma. Diz ainda que o paciente também tem um papel fundamental nesta etapa e precisa informar ao médico se teve algum tipo de exposição ao risco. «Quem teve contato com água ou lama da enchente e tem algum sintoma deve procurar uma unidade de saúde e precisa avisar ao médico para que ele possa avaliar», orientou.
Até esta terça-feira, dia 02 de fevereiro, não foi confirmado nenhum caso de Leptospirose este ano, em Sorocaba. Desde o início do ano foram notificados nove casos suspeitos, dos quais quatro foram descartados e cinco estão aguardando resultado de exame. Apesar de não haver confirmação de nenhum caso este ano, a Vigilância Epidemiológica ressalta que este não deve ser motivo para a população descuidar da prevenção.
Consuelo Matiello, diretora da Vigilância em Saúde, acentua que as pessoas das áreas inundadas não devem facilitar. Ela explica que, quanto maior o tempo em contato com a água, maior é o risco. «Este contato deve ser evitado ao máximo. Os pais não devem permitir que as crianças permaneçam nesta água e todos que se expuseram devem ficar atentos aos sintomas por trinta dias», explicou.
Ações adotadas e atenção redobrada
Nas áreas atingidas, a Seção de Prevenção e Controle de Zoonoses realiza um trabalho de orientação e prevenção logo que a água baixa. As casas são visitadas, moradores recebem folderess explicativos e cloro para a desinfecção do imóvel e dos objetos atingidos. Alimentos que tiveram contato com a água devem ser todos eliminados e não devem ser consumidos em hipótese alguma. Desde o início do ano, cerca de 400 visitas foram realizadas e quase 500 litros de hipoclorito distribuídos.
Nas últimas semanas, 500 cartazes com informações sobre prevenção e sintomas foram distribuídos pela cidade, principalmente nos bairros mais atingidos, afixados em próprios públicos e estabelecimentos comerciais. A Secretaria da Saúde também está providenciando a confecção de mais cartazes e filipetas informativas. Desde sexta-feira, 500 botas também foram entregues aos moradores das áreas alagadas.
Especificamente aos profissionais da saúde, o reforço na orientação começou em dezembro com a terceira edição do boletim informativo da Vigilância em Saúde, chamado Visão. A publicação destinada aos profissionais da rede municipal de saúde teve informações técnicas e orientações sobre condutas e suspeitas de leptospirose, tendo em vista a aproximação dos meses mais chuvosos do ano.
Os Centros de Saúde das áreas atingidas estão reforçando as orientações aos profissionais de saúde. A ação começou pelo Centro de Saúde do Conjunto Habitacional Ulysses Guimarães, que atende moradores do Parque Vitória Régia 2 e 3, e se estenderá às demais unidades que atuam nos bairros que sofreram alagamentos.
No mês de janeiro, a Vigilância em Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, também enviou a todos os hospitais da cidade o mais recente informe técnico sobre leptospirose divulgado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, em dezembro de 2009.
A doença
Doença infecciosa aguda, a leptospirose é causada pela bactéria Leptospira interrogans, presente na urina de ratos, e que provoca danos aos rins e ao fígado. Na sua forma mais grave, pode provocar icterícia, insuficiência renal e hepática, meningite e, se não for tratada, pode levar à morte.
A contaminação ocorre quando a bactéria eliminada na urina do rato penetra através da pele e das mucosas (olhos, nariz, boca) ou por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita essa penetração. O ser humano não é considerado um transmissor da doença.
Quem teve contato com água ou lama de enchente deve ficar atento à manifestação de sintomas como febre alta, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios. Ao apresentar esses sintomas, a Secretaria Municipal da Saúde recomenda procurar uma unidade de saúde e comunicar ao médico.
Os sintomas da leptospirose aparecem entre 02 e 30 dias após a contaminação, sendo o período de incubação médio de dez dias. Também são frequentes dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados e alguns doentes podem apresentar tosse e faringite.
A partir do terceiro dia de doença pode surgir icterícia (olhos amarelados) nos enfermos que apresentam casos mais graves (cerca de 10%). Nesse grupo, aparecem manifestações hemorrágicas (como sangramentos em nariz, gengivas e pulmões) e o funcionamento inadequado dos rins, o que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, total suspensão da urina.
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