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Comportamento Sexual XV
Separamos, e agora? Juntar as coisas, começar de novo...
30/01/2010
foto: enviada por Celso Fernandes
Muitas separações costumam demorar por causa do medo do que pode vir a acontecer depois. Os problemas práticos aparecem especialmente se o casal tiver algum bem imóvel, como apartamento ou casa.
O fim de um relacionamento raramente se dá sem que haja algum tipo de problema. Quanto mais tempo juntos, mais difícil a separação.
Parte disso acontece porque a maioria das pessoas acha que dizer adeus a alguém que amou é admitir uma derrota. Se já foi bom, então alguma coisa deve ter acontecido para estragar tudo. E é quando surge a pergunta: "será que foi alguma coisa que fiz de errado? Ou que deixei de fazer? Por que justamente agora fracassamos?
Outro fator importante no lento processo de separação é a conscientização de que todas as relações passam por períodos difíceis - ´´será que estamos apenas passando por uma fase ruim? O que sobra é suficientemente sadio para se continuar lutando? Nós nos arrependeríamos amargamente se terminássemos?"
Pode-se perfeitamente saber que o relacionamento está morto e que deveria ser enterrado – mas é inevitável pensar: ´´O que farei agora que estou só? Conseguirei encontrar outra pessoa? E, no fim contas, não será melhor seguir em frente do que enfrentar a solidão – que será difícil da mesma maneira, pelo menos por um bom tempo?`` Essas e muitas outras perguntas, dúvidas e medos passam pela cabeça de todo mundo, quando se percebe que o relacionamento caminha para o fim.
Há poucas exceções – se um dos dois, por exemplo, conheceu alguém, a separação pode chegar com mais rapidez e menos dúvidas. No caso da chamada ´´deterioração`` amorosa, chega um momento em que se tem de admitir: ou o relacionamento termina de uma vez, ou acontece a reconciliação. Todas as sensações provavelmente já vinham crescendo há algum tempo, antes que se percebesse como estava deteriorado. Geralmente aparece mais de um sinal de que as coisas não vão bem – raramente é um fato inesperado.
Olhando para trás, pode-se perceber que um dos dois vem sentindo impaciente e insatisfeito há algum tempo – ou os dois. É bem provável que tenha havido uma série de discussões que funcionavam no passado, mas não resolvem mais coisa alguma. Algumas pessoas percebem que, além de discussões e bate-bocas, praticamente pararam de conversar sobre qualquer assunto importante, O diálogo, antes conduzido de forma amigável, agora é cauteloso ou áspero.
A vida sexual também funciona como guia. Normalmente, quando o relacionamento deteriora, a vida sexual começa a sofrer também, Em alguns casos até cessa completamente; em outros apenas muda de natureza: torna-se mais agressiva e menos carinhosa. Chega uma hora, antes mesmo do ponto crítico, em que tudo fica tão difícil que só se consegue odiar a atmosfera doméstica e não se faz nada, a não ser voltar para casa e encontrar novamente essa situação.
Mas é geralmente quando as pessoas se surpreendem olhando para outras como possíveis parceiros, que realmente se dão conta de que estão muito longe de quem vive ao seu lado.
É bom lembrar que não existe uma razão isolada para o fim de um relacionamento. Algumas vezes, existe apenas uma incompatibilidade fundamental; os dois se amavam mas não foram feitos um para o outro – e descobrem que seria errado achar que poderiam viver juntos para sempre. Mas raramente a separação é assim tão simples. Um dos problemas parece até um contra-senso, mas não é: as pessoas estão sempre mudando e se desenvolvendo, mesmo quando adultas. Com alguma sorte, o casal cresce junto, cada um à sua maneira – e o erro não é de nenhum dos dois, em vez de continuarem crescendo juntos, se separam. Mesmo com a melhor sorte do mundo, os dois podem amadurecer diferentemente – necessitar e querer coisas que já não são importantes para a outra parte. É bem provável que isso aconteça acaso o relacionamento começou quando os dois eram jovens e, talvez, sem certeza do que queriam da vida.
Da mesma forma, pode acontecer que um dos dois precise mais do relacionamento que o outro – o outro pode achar o trabalho, por exemplo, mais importante e gratificante. Enfim, romper um relacionamento é muito difícil. Pode acontecer a qualquer casal decidir pela separação. Porém, quando chega o ponto crítico é que realmente vem a grande questão: terminar ou começar tudo de novo?
Celso Fernandes, jornalista, escritor.
Colunista de Moda, TV e Literatura. Assessoria de imprensa.
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